Agora e de há uns dias para cá durmo um sono de sonhos, que começam a ecoar nas horas acordadas. Retiro dessas noites encaloradas a força inconsciente para viver e contar a história, para realizar o que sou, com gosto e vontade de o ser mais... Demonstrar a existência de algo que lembra a omnisciência do ser, que colecciona memórias de outras vidas, num canto de amor.
Na fronteira entre o êxtase e a dor, regressar ao centro, certa dos passos dados, das festas sentidas, das danças e da musicalidade da esperança.
Afinal a escolha do que ai vem está tão acessível como as recordações, como as canções que recordo da infância e que me acalmam o pânico de outros dias, em que me achei perdida e distante das benéficas vibrações que tudo unem.
Sinto o cheiro das rosas no ar e das amoras a popular-me nos lábios e podia esta ser uma noite quente sobre a areia fria, mas ainda há bilhetes para muitas viagens que quero e posso fazer.
Tão bom que foi tirar estes dias, este tempo que não há só para mim, para estar pelas paredes dos afectos e acariciar os que comigo partilham a vida, para pensar e recordar sensações e outras pessoas e momentos marcantes, de forma feliz e chorar mas de alegria pelo sangue que me corre nas veias, ao som de músicas que dizem tudo sobre mim, sem nunca o seu autor me ter conhecido.
Foi bom sorrir através das banalidades da vida, aceitar o risco de viver e acordar de bom humor, brincando com coisas de nada que tudo fazem pela felicidade e agradecer a força que me fez seguir em frente e que na maioria dos dias não reconheço.
É bom saber do poder de prever regressos quando for a hora e aprender que às vezes vale a pena escutar o coração e sentir o espírito pulsar de um destino traçado, mas que podemos moldar, de missões a cumprir sem que o sacrifício e a abnegação doam onde e quando não devem amargar na alma.
Hoje e de alguns dias para cá, sinto-me mais livre para fazer o que quero, sem pressas, sem sobressaltos, sem a ânsia do momento e da obrigação seguinte e posso estar aqui a escrever sem que este momento perca o valor pela preocupação com o dia de amanhã.
Sei que vou crescer e escrever até ao último suspiro e até que reencontre toda a sabedoria que não sei em mim e que me une a tudo o que necessito, desejo e que me faz feliz!
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