Monday, June 23, 2008

Tiros no pé...

Ao longo da vida sempre fui confrontada, inexplicavelmente, com a necessidade de enfrentar determinadas ausências, disfarçadas atrás de uma normalidade aparente. Fui dando tiros no pé, ao não perceber que eram sinais, sobre o tipo de caminho que um ser humano deve percorrer, enquanto a sua sagrada energia circula na terra.
Foram ausências com que não contava e que surgiram sempre depois de a minha imaginação e espírito livre, o meu coração aberto se entregar a amar... Sei hoje que tiveram uma razão, mas nunca percebi porque não podia contar com o ombro amigo, do sangue que une os irmãos ou com o aconchego de um abraço apertado e frequente de um pai, quando esses momentos eram necessários e me pareciam naturais!?
Nunca percebi porque selei a fogo, ao luar e a preces, amizades e amores infinitos que para mim continuam vivos dentro, eternos, mas cujos personagens partiram para bem longe sem deixar rasto... nunca percebi os tiros que dei no pé quando encontrava um lugar, que me preenchia, e abria a porta das gaiolas para deixar fugir esses passarinhos de emoção, dispostos a cantar para mim?!
Na aparência das circunstâncias, todos os que amei e de quem a minha alma tinha sede estavam por perto, mas no fundo, aos poucos foram-se tornando cada vez mais inacessíveis à minha necessidade de afecto e a tudo o que tinha para lhes dar... Umas vezes partiam inexplicavelmente... de outras tinha eu motivos para os deixar partir, sempre com o desejo de uma próxima visita e com a mágoa do seu não regresso inevitável...
No fundo o meu vazio era egoísmo e queria sempre mais do que estava disposta a oferecer. E tantas vezes me forçei a tentar esquecer a necessidade de receber e nem mesmo assim fui capaz de dar incondicionalmente. Antes, fechei-me dentro de mim com as minhas mágoas, dores e com as memórias dos momentos, em que essas perdas ainda não existiam e as relações eram plenas... E quanto mais corria atrás da salvação dessa energia vital dos afectos, mais ela me escapava das mãos e a sensação de distância, vazio e impotência face aos acontecimentos acabava por me preencher os dias.

Posso dizer que já sofri ausências de todo o tipo e sempre foram afectivas, na família, nos amores e amizades, no trabalho...mas houve sempre um lugar que não se desgastou, apesar das crises e convulsões...Um lugar que alguém deixou sempre aberto para mim, apesar das diferenças e da forma diferente de sentir e encarar a vida, à qual nem sempre soube ser grata, onde nem sempre depositei tudo o que tinha para dar...um lugar de onde já exigi muito, num tempo em que fugia a mais tiros no pé!
Um lugar calmo onde repousar de todas as ausências sentidas e todos os lugares vazios, que gostaria de manter preenchidos, um ser que me completa e me aceita como sou e que sempre permaneceu ao meu lado, demontrando prazer ao meu toque, ternura face às feridas causadas pelos inumeros tiros que fui dando nos pés, devido às carências e inseguranças.
Um ser que demontra luz e felicidade face ao som da minha voz e à possibilidade de podermos para sempre dormir aninhados, enlaçando os nossos sonhos, que me suporta para que possa concretizar os meus planos e realizar-me, que sinto às vezes contemplar-me embebecido, como se eu fosse o mundo!
Um lugar aparentemente calmo e pacato, que a minha natureza me levaria a rejeitar, mas que por trás do pano onde só eu e ele sabemos os bastidores, se encontra preenchido de aventuras emocionais, de inteligência, projectos, amor, perdão e coragem, que percorre o mundo a caminho ou apenas sobre as almofadas da imaginação. Uma história que julguei nas alturas de crise, um lugar comum, mas que afinal é uma contrução unica e só nossa, um templo divino, que aprendo dia a dia a respeitar e a preservar.
Compreendo hoje esse destino comum à humanidade... essa necessidade de sentir a ausência para que possa alcançar a unidade de tudo e a realidade feliz de nunca estarmos sozinhos, no percuro semelhante a um rio que não para de correr, mas onde as mesmas águas só passam uma vez pelo mesmo lugar, contudo, moldando as margens para que se tornem perfeitas como trilho... Afinal todos os momentos são importantes!

Compreendo hoje essa necessidade de sentir a ausência, para que possa dar valor às presenças contantes e amantes que deixamos de ver, quando nos descentramos da capacidade de amar! Sei agora que é possível ser feliz suportanto a dor dessas ausências e de todas aquelas que ainda vivem em mim e das que estão por vir, transformando-as em seiva e alimento que me reforça, para continuar até um dia ver o mar...
Agora sei onde encontrar tudo o que preciso! É nas margens do caminho que permanecem as recordações das presenças, das amizades, laços e paixões que foram com a maré... Hoje sei que posso sentir a plenitude da vida e deixá-la cobrir o meu ser, porque para regressar a essas histórias e torná-las presenças vivas, basta deixar a corrente por uns instantes e percorrer a pé o percurso da margem, até ao lugar do passado onde quero voltar... para ali ficar e acariciar os momentos da minha vida como pedras preciosas... Afinal não há tempo, somos aquilo que somos e tudo é uma coisa só... É mais fácil realizar o caminho sabendo que nada se perde, mas que apenas tudo evolui e se transforma, sabendo que as ausências humanas nada valem à luz da presença divina, criadora e constante a meu lado e a essa lugar, a esse ser humano como eu, mas que posso chamar de amor, de casa e de porto seguro para ganhar forças e seguir...
Ah! Também descobrir que para amar são mesmo necessários muitos tiros no pé, mas que nesses momentos alguém nos carrega ao colo e nos deposita nas águas, que acalmam dores, vontades, desejos e paixões e nos ajudam a descolar dos caminhos que deixamos para trás na certeza de saber escolher!

Monday, June 16, 2008

Deixei de ter insónias...

Insónia!? Deixei de ter insónias assim que me apercebi que havia uma forma de lidar com os meus hospedes indesejados. Seres de luz e de trevas dentro e fora de mim. Como despresava antes a sua utilidade...
Agora e de há uns dias para cá durmo um sono de sonhos, que começam a ecoar nas horas acordadas. Retiro dessas noites encaloradas a força inconsciente para viver e contar a história, para realizar o que sou, com gosto e vontade de o ser mais... Demonstrar a existência de algo que lembra a omnisciência do ser, que colecciona memórias de outras vidas, num canto de amor.
Na fronteira entre o êxtase e a dor, regressar ao centro, certa dos passos dados, das festas sentidas, das danças e da musicalidade da esperança.
Afinal a escolha do que ai vem está tão acessível como as recordações, como as canções que recordo da infância e que me acalmam o pânico de outros dias, em que me achei perdida e distante das benéficas vibrações que tudo unem.

Sinto o cheiro das rosas no ar e das amoras a popular-me nos lábios e podia esta ser uma noite quente sobre a areia fria, mas ainda há bilhetes para muitas viagens que quero e posso fazer.
Tão bom que foi tirar estes dias, este tempo que não há só para mim, para estar pelas paredes dos afectos e acariciar os que comigo partilham a vida, para pensar e recordar sensações e outras pessoas e momentos marcantes, de forma feliz e chorar mas de alegria pelo sangue que me corre nas veias, ao som de músicas que dizem tudo sobre mim, sem nunca o seu autor me ter conhecido.

Foi bom sorrir através das banalidades da vida, aceitar o risco de viver e acordar de bom humor, brincando com coisas de nada que tudo fazem pela felicidade e agradecer a força que me fez seguir em frente e que na maioria dos dias não reconheço.
É bom saber do poder de prever regressos quando for a hora e aprender que às vezes vale a pena escutar o coração e sentir o espírito pulsar de um destino traçado, mas que podemos moldar, de missões a cumprir sem que o sacrifício e a abnegação doam onde e quando não devem amargar na alma.
Hoje e de alguns dias para cá, sinto-me mais livre para fazer o que quero, sem pressas, sem sobressaltos, sem a ânsia do momento e da obrigação seguinte e posso estar aqui a escrever sem que este momento perca o valor pela preocupação com o dia de amanhã.
Sei que vou crescer e escrever até ao último suspiro e até que reencontre toda a sabedoria que não sei em mim e que me une a tudo o que necessito, desejo e que me faz feliz!

Saturday, June 14, 2008

Será que ainda há Heróis?!

Lisboa, 05 de Maio de 2006 [Em pleno auge de uma enorme crise existencial que ainda se prolongou por 2007. Entretanto, chegou a paz e a serenidade, a compreensão, a disponibilidade para encontrar heróis de todos os tipos e para ser feliz, com tudo o que comporta ser humana e ter a capacidade de amar...]

O que eu queria era escrever um poema para descrever o meu estado de espírito e libertar-me desta ansiedade que me corre nas veias, desde que descobri uma crise em mim a crescer nestes últimos dois anos e meio, mas como o rio de emoções era tão grande acabou nesta prosa chorada e confusa, que deixo nas linhas abaixo.
Só sei que se ninguém quiser ler, ou nunca ninguém a chegar a ver, não faz mal, porque me sinto muito mais aliviada, agora que depois de tanto tempo a desejar escreve-la tive coragem de deixar mais uma vez, como é minha natureza quase incontrolável, as coisas que rotineiramente me quero disciplinar a fazer, por que a isso me proponho. Essa foi uma óptima sensação de poder ser eu, fazer o que me apetece e ser livre e não o que acham bem que se faça, se cumpra e se revele!

Fui capaz de ser eu sem me culpar por estará atrasar o mestrado, ou de não escrever o que tenho prazos para cumprir, ou de não visitar quem devo, atender como devia. Sabem que mais, que se dane essa obrigação compulsiva de responder a tudo de forma exemplar; a quem estava a mentir?! Não sou capaz de fazer bem metade do que as pessoas acham que sou ou que eu própria me convenço que sou. O melhor é mesmo assumir que sou assim flutuante, nómada, errante, de vontades, interesses. Que sou egocêntrica, preguiçosa, lunar e tentar ser feliz, porque sou assim e não uma “pedra” estática, imutável, monocultural e demasiadamente certinha para ser verdade.

Não imaginam, mesmo, o prazer de estar a escrever isto, nas circunstâncias de ter um mês cheio de eventos, solicitações e coisas a fazer, sem que isso me afecte e me faça sentir culpada, porque era mais importante para mim derramar estas lágrimas e estas palavras numa folha, para que se tornassem visíveis, saíssem de dentro de mim e me libertassem de toda a tensão e tédio, de que a vida do dia a dia me foi, imprevisivelmente, preenchendo.

O que quero é ser feliz e contribuir para um mundo melhor, repleto de boas experiências e mais leve de pessoas frustradas com a vida, que lhes é quase imposta pela geração anterior também de frustrados que nos educa para um mesmo registo emocional, para uma mesma falsa conduta de boas práticas a que ninguém que fale a verdade pode afirmar que adere totalmente.

Assim, deixo aqui a minha reflexão confusa sobre a minha admiração pelos “heróis” ou “santos” da vida, aqueles que me ensinaram a respeitar e a ter como modelo de vida e sobre as minhas recentes e posteriores inquietações e questionamentos sobre essa verdade, face à descoberta de novas perspectivas, que esta idade pós-adolescente e de adulto recente produziram em mim, inesperadamente, como se tivesse num pulo regressado a esses anos teen, que agora a uma distância moderadamente considerável, me parecem mais calmos que estes twenty.

Na verdade na altura simplesmente vivia e não questionava metade das coisas que me colocavam à frente, o que chamo hoje de ser feliz por ignorância. Efectivamente dói, mas prefiro este inquietante viver pensante e reflexivo, que nos acorda para a vida de uma forma sofrida, mas que nos faz sentir mais vivos e nos desenha os caminhos na ponta dos pés, lembrando-nos da capacidade de optar, investigar, reflectir sobre as nossas opções e sobre o próximo passo, de uma forma livre a autónoma que a ignorância não permite.

Permaneço dividida entre os dois mundos e no fundo não sei se eles serão opostos. Só não quero que as minhas novas perspectivas e opções sejam opostas à capacidade de amar acima de tudo…! Sei apenas que a outra face da moeda do que me foram mostrando, ao longo dos anos, não parece ser de trevas, malvadez ou insensatez gratuitas e que cada dia que passa penso que a capacidade de amar ou a forma de amar que me foram escrevendo na alma, pode ter outras variantes…o que magoa uns, não magoa outros. Tudo depende desse quadro de regras que nos metem pela testa mal começamos a despontar para a vida e que, na maioria dos casos, vem aumentar a frustração e contrariar a natureza humana.

Diz-se que a felicidade se constrói e que deve vir a partir dos outros. Concordo e acho que tenho que recuperar sonhos perdidos que estão do lado da vida que ainda me bate à porta, sem que isso magoe nenhum outro. Mas até que ponto o sacrifício nos transcende, ou pelo contrário nos faz frustrar e ai, então, acabamos mesmo por perder a capacidade de amar, tanto aos outros, como a nós próprios. As ataduras não podem ser tão fortes! De certa forma, o ser humano precisava de asas para voar…! Deixo com prazer, nesta hora em que devia estar a fazer outra coisa, que todos e eu própria consideramos socialmente mais importante, a minha reflexão sobre a afirmação “Ainda há Heróis…”

***
AINDA HÀ HEROIS…!
Heróis que percorrem a vida de cabeça erguida, faces alvas da verdade, pessoas corajosas, dedicadas às regras, à lei e à tradição, assíduas aos compromissos em que depositaram a voz. Que anjos sem mácula de trevas, militantes sem medo de amar…!

Sim! Penso que só por um Amor Supremo os heróis são capazes de sacrificar desejos e vontades, as loucuras e desaires hábeis, para os quais foi criado e aos quais foi sendo vedado o coração humano. Estes heróis parecem-me felizes, estátuas perfeitas de corpo e espírito, como as que vemos nos museus e nos aludem à destreza olímpica do ser, ou como os que vemos nos altares e nos lembram a pureza da alma que nunca chegamos a entender.
Regra geral, são admirados e no meu caminho de semente a árvore frondosa, que hei-de chegar a ser, foram-me ensinando que o sucesso e a felicidade, a justiça, a ética e a caridade se encontram em síntese nesse modelo, que deveria desejar alcançar. Seria, então, feliz assim que a primeira época em que as minhas pequenas flores se revelassem prontas a dar frutos.

A glória estaria na coragem de morrer todos os dias para a vida terrena, no acumular das privações necessárias para atingir a perfeição e a transcendência, no ser depositária de uma vida ordeira, que respeita a terra e os meus semelhantes, através daquilo que hoje sou tentada a chamar, de não experiência ou de privação da experiência, num sentido algo exagerado, pelas inquietações que me percorrem agora.

Concordo, obviamente, com tudo isto de uma forma inquietante e de perfeccionismo extremo, que hoje me corrói e ao qual não consigo corresponder. Às vezes até gostava de ser heroína e de braços abertos fugir do instinto, que me leva a crer que a liberdade de buscar algo mais além, nos pode mostrar caminhos, aventuras, sentimentos válidos e sublimes ,que o tempo e a história dos hábitos foram escondendo e punindo como se não fossem humanos e devessem estar presentes numa vida plena, recheada de experiência, que quão mais diversas, mais vão construindo o nosso mundo interior, repleto de cores e momentos mágicos, para cantar o nosso trilho pessoal no mundo…!

Pois é, às vezes apetece-me bater asas e lutar por esse estado de santidade que grita contra a minha natureza, voar, mesmo sabendo que não posso parar ou sequer vacilar. Mas observo-me atenta…aos meus castelos de ser mulher e antes de ser manhã tombo de um cálice de decisões, sem que nenhuma tenha sido tomada de forma convicta. Ninguém me avisou, nestes já longos anos (para mim) sobre a dor que causa o sabor amargo do vazio e sobre o êxtase, também doloroso, que causa a luz brilhante das recordações. Da queda quebraram-se os muros desse desconhecido a que apontam de imperfeito e agora não sei que fazer deste encontro com a dureza da vida e a beleza prescrita no copo de sonhos, que me embala o sono?!

Aventurei-me um pouco no mundo, percorri os lugares da minha cidade interior e no fundo da alma, as tantas imagens e experiências que deixei de viver ou que ainda não pude conhecer gritaram para chamar por mim…Aceitei viver algumas!? Sim, sei que agora estou perdida, errante de evasões e desilusões, mas também preenchida de afectos e novas emoções.

Afinal não quero depositar mais história num qualquer museu perfeito e dourado, quero construir o meu e quero que seja colorido, diverso, que desperte choros comovidos e sorrisos, vontade de viver a quem o visitar! Será isto medo ou incapacidade de verdadeiramente amar? Será manchar a vida de um pouco de trevas, de ser contra as regras ditadas na passividade dos dias, que correm na rotina do que está definitivamente certo ou errado, Pecar?

E sem limites visíveis a vida acaba por correr intensa, até me mostrar o que nunca me explicaram, que é um risco, mas que todos os dias acolhe quem somos: - pessoas, histórias e seres quebradiços à mercê das intempéries, mas também das oportunidades!

Sei que choro, mas a alma não quer mais nada com esta dança de melancolia e perante os corpos ávidos e a insegurança dos nossos sorrisos, na tarde tépida que passou, só me apetece afirmar que inteligente e feliz não é ser herói, mas saber que ser humano é condição intensa e assumi-la, cravada de fogo, objectos, lugares, sonhos, lutas, sensações, sentimentos, que espreitam à porta do meu castelo, esperando que eu os queira viver, escolhendo a minha panóplia de dores e amores! Afinal… Será que ainda há heróis?

Tuesday, June 10, 2008

Nessa paixão de existirmos como um todo!

Não sei se uso da palavra de forma generosa?
Talvez estejam estas letras demasiado apegadas àquilo que sou,
ao que sinto a cada instante.
Mas sei que são precisos momentos como este
em que nos reconstruímos por dentro!
Essa vontade de mudar para melhor que acorda um dia
pela manhã e que se reconhece nos olhares que nos rodeiam,
em cada reflexo do rosto, duvida que se faz certeza.
Estarei a divagar na essência de luz que me carrega o ser
nessa paixão de existirmos como um todo em tudo
nesse equilíbrio de elementos
onde encontro a terra, a àgua, o ar, o fogo do espírito e os sentimentos
e nessa felicidade que me acalma por sabê-lo!

Sou exactamente aquilo que devia ser...

Chegam as primeiras noites que anunciam o verão... Trazem um vento que me acaricia a pele sem ferir e sinto o sangue nas veias, quente, e a importância de viver este preciso momento. Ainda não sei para onde me guia o coração, mas acabo por confiar na direcção da brisa e no caminho que se encaixa em mim, onde as incompreensões deixam de importar, onde as decisões têm sentimentos e razão!
Sou agora capaz de me tornar adulta e compreender a vida com olhos de ver, sem esperar e expectar, sem que as reacções sejam simples respostas aos acontecimentos. O que as pessoas pensam importa menos, porque agora sei quem sou e sei melhor agradecê-lo e mesmo que não gostem quero aprender a saber amar! Sinto o pulsar dessa energia que me acompanha e sei agora poder transformá-la em tudo o que preciso para ser feliz...
Olho a lua e sei do sentido uno da vida apesar das suas fases, aparências e da alternância dos momentos. Deixo-me levar crente de que sou exactamente aquilo que devia ser e escuto essa voz que me dita a missão em cada batida do coração...

Wednesday, June 4, 2008

Agora é o tempo de vencer...

Gotas de morte pingavam ainda sem evidências. Eram veneno caseiro para matar o meu pensamento e sentia os pés frios como se um dreno me parasse o sangue. Quase perdi o sentido da vida, a criatividade e o que mais me custou, a alma, a paixão e o sorriso com que antes me entregava aos desafios.
Foi real esse tempo das musas cuja morte me fez chorar, tal como foi o que deixa hoje de ser o tempo das tragédias mentais ao virar da esquina, das sombras e das angustias.

Agora é o tempo de vencer a morte, o tempo da confiança e de voar sobre as culpas, duvidas e apegos, de deixar para trás os pensamentos duvidosos, cercar o medo e sentir os solavanços gulosos a enfraquecer, até que a agitação se torne calma e o coração preenchido de empatia e da certeza do amor!

Monday, June 2, 2008

Palavras sem som!

A beleza ousada da poesia necessita de outros para ser. Escrevo na esperança de que as palavras sejam som em lábios que percorrem caminhos, mudos, desvairados de viver só para si. Orgulho cheio de silêncio, onde o encontro se apagou como pegadas de areia. Sei da tristeza aborrecida destas letras de falar comigo mesma, enquanto não oiço o som daquelas vozes ignorantes de estar sós!

Silêncios Solitários


Pode ser que alguém não possa suportar
aquilo que digo, então escrevo...
A escrita é algo solitário
através do qual o mundo sente,
por isso nem todos podem ser escritores.
Seres que perpectuam momentos de silêncio,
quando o diálogo ocasional
e o encontro esporádico, sem toque e sem olhar,
consistem no mesmo
que a solidão inviolável...



Qualquer passo para a felicidade
acarreta sempre em demasia o sofrimento.
Já não há liberdade para os retiros da alma
nem felicidade solitária,
mas conta primeiro contigo
como a tua melhor companhia...
O que importa é o que tens de fazer independente e só
no meio da anómica multidão!