Monday, May 26, 2008

Globo de Luz!


Mais um dia passa nesta jornada
agora mais consciente.
Perder o receio
voltar a pegar na caneta e escrever
acreditar, gostar de ser eu
e não outra pessoa qualquer.
Superar desafios, desafiar cansaços
cansar a dor!
Viver através do que me chama em redor...
Sentir-me amada pelo globo de luz
que me proteje
por esses passos invisíveis...
Quase a chegar a casa, depois do deserto
a certeza de que são os pequenos gestos da vida,
a riqueza do coração!
Nada de extraordinário...
Se existo é para me desgastar a servir,
a estar, a sorrir e a chorar de emoção,
para me enternecer com os gestos de amor
que se apresentam na palma da minha mão!

Seiva Divina!


Ser e estar com essa prece de acção
que se alimenta do silêncio do coração...
A resposta a todas as perguntas
a verdade, a curiosidade, a intuição...
a vontade de lutar para que cada inspiração
saiba de cor o seu lugar...
Um caminho que não para,
um crescer que só cresce por acréscimo
Um desassossego contente de buscar...
Alma errante, destino comum
Incompreensão garantida
aceitação com paz do que nos dão!
Preces e alicerces que sustentam
fraquezas e tristezas
Força, energia, luz, compaixão
ouvir porque temos ouvidos
para acabar sentindo o sangue
que corre nas veias
e a seiva divina que escorre da alma!

Tuesday, May 20, 2008

Se estiveres ai...


Se estiveres ai tão calmo como aqui estou e escrevo...
sou e sinto...estarás! Estarás vivo para mim...
Mas há pessoas que não entendem este sentimento...
Mas se não sobem ao monte e não exultam de extase,
também não sofrem, não se queimam, nem choram...
Há quem não entenda que uma lágrima
pode valer por muitos sorrisos...
quem nunca experimentou essa intensidade
e beleza quase dolorosa...
E a vida corre e já não há razão para não sermos felizes
e mesmo que as lágrimas surjam, serão por horas belas...
por horas não perdidas, que ficarão sempre...
E se algum dia perdermos esta calma cintilante
E se algum dia perdermos a loucura de subir às montanhas
e voar nos sentimentos que nos prendem pelas mãos
e pelo olhar, pelas batidas do coração...
Mesmo assim as lágrimas não serão em vão...
Porque um dia soubemos o que é estar excitadamente calmos
no furor do sentimento mais terno e doce do mundo...
E porque mesmo assim, jamais sairemos um do outro
porque saberemos esses momentos irrepetíveis
e eternamente nossos...
Afinal depois da exultante calma
que se sente no cimo do monte
jamais haverá razão para não sermos felizes!

Era o real tempo da lenda!

Precioso é o mármore daquele castelo
que um dia fomos visitar...
Nesse dia, por entre suspiros,
ainda desejavas a minha companhia.
Era o real tempo da lenda
hoje não mais celebrada!
Nesse dia ouvi música vibrante
e alegrei a vida com casca de lima e muitos prazeres.
Criamos uma invenção naquela beira de água.
Foi de facto, um acto de liberdade!
Criamos uma invenção frágil como ave ferida
Relembrando a história
embora a tarde solarenta
nos sabores da maça
vinham cravados venenos,
que apagaram a história
transformando-a numa lenda longínqua
algures numa ilha de murmúrios
dentro de nós...

Tuesday, May 13, 2008

...

Se ouvires o vento sabes...
É o meu amor velando por ti...
Rasga a tela da memória...
Gastando momentos felizes
Intensos... e mesmo que não me vejas
Olha o céu, envolve-te na brisa que te trago
Mergulha em mim e vive
Intensamente a história da vida
Gasta os momentos eternos e não te esqueças nunca
Uma vez os nossos olhos cruzaram-se
E mesmo que não aprecies poesia, sei que apreciarás a minha...
Lutemos sempre por aquilo que sentimos...
Luta comigo e viverei feliz como um raio da manhã
Olhando a beleza em meu redor...
Palavras para quê? Não sei se percebes mas
Este é o teu nome gravado em mim...
Sim!
De onde vieste não sei, és uma luz
E como apareceste em mim, deixei-te ficar...
Mandou-te o sol iluminado de sorrisos como eu gosto
Amo-te! Um dia vi por dentro o teu olhar...
Tua... com toda a intensidade tua...
Os dias passam e cada um deles é mais uma gota de amor
Se ouvires o vento somos nós entrelaçados num olhar...

Na corda bamba...

[Abril de 2002]


Desenhado está o chão por onde têm de caminhar...
proprietárias luzes, em todo o caso não pertencentes ao circo...
Em suma, directamente envolvidos elementos para repensar,
momentos fugazes, ocasiões para que duas decisões
lutem por uma oportunidade...
Cuidadosamente ouvem-se guizos envolvidos no quotidiano...
Experiências de confidencialidade,
análise de aspectos críticos e da perigosidade...
A sua intervenção versátil no cimo da corda, agradável,
espera tirar partido dos anos
para que cada outro presente tenha uma parte daquela magia
activa dentro de si.
Eis a casa do mestre perante o visitante,
algo que não consigo exprimir...
O especialista pobre perante uma secção de cabeças ricas
que pagam para ver mais uma vez
a corda bulir!

As coisas simples são as que ficam no coração!

[escrito em Setembro de 2002, antes de todas as epopeias dolorosas, num estado de felicidade, sonho e limpidez de alma, até agora jamais inatingível]


Ao som da música dos pensamentos
nem um lugar livre no espírito...
E exulto de uma dor alegre e merecida...!
Como é doce o amargo de sentir...
e será sempre assim...Deus queira!?
Sentir passar e viver os momentos...
Não é a primeira vez nem será a última
a vez que me percorre assim
a vida e o tempo imaginário...
E esta noite que corre e o futuro que vem
os promenores e as cores do presente
que me ensinam e logo são passado...
É essa incrível sensação do irrepetível
e do mágico...
e com a oportunidade vem outro momento
e experiências que no caminho só cabem aqui ou ali...
é, então que observo a comédia e reparo
na importância deste gesto
e de novo clamo ao dom atento
que me prenda nessa felicidade
de ser e estar agora...
Como que no alto da montanha rodeada de três tendas
exaladas de luz divina...
Inspiro e cada segundo passa milimetricamente pelos sentidos
nessa sensibilidade despertada pela compreensão
da beleza e da eloquência da vida...
Mas no acto de extase
no desejo de ali permanecer no tempo e na luz...
a dor de ter que partir
ter que seguir e guardar tudo na caixinha
da memória e da recordação...
E com o coração despedaçado pela dor
e com as lágrimas nos olhos raiados de felicidade
reconheço que as coisas importantes permanecem comigo
e que nas veias após mais um mágico momento
levo guardados horizontes e histórias
para contar e crescer...
Estender os braços, sentir e lançar-me a correr
e ao som da música surge-me o lugar onde
a razão se une à emoção e regresso a esse
doce amargo de mutar e sentir!

Monday, May 12, 2008

Não acendas o fogo...

Não acendas um fogo que não possas apagar!
Ora e vigia à noite...
Se não queres que ninguém saiba, não o faças, não acendas o fogo...
Enganei-me a respeito da natureza do amor
e não sinto agora desejo de brincar quando o mundo faz batota.
Acendi o fogo, enganei-me...
queimei a alma na mais escalarte e dolorosa perda.
Eterna e horrível privação escrita a sangue
na palma das minhas mãos feridas que o tempo não cura!
Não sinto o menor desejo de brincar
quando o mundo escolhe um amor que não passa de emoção.
Não acendas o fogo...
Aprendi que o amor verdadeiro não pode ser prejudicado
porque começa onde não se espera mais receber...
Basta esqueceres que existes, morrer para ti para viveres nos que amas...
As feridas da carne, o sangue a pingar
para apagar o fogo e o sim do fundo do ser cheio de consequências!
A dor faz da noite dia se entregares de vez tudo o que és e tudo o que precisas!

São horas de partir...

[02 Maio 2008]

As ruas estão escuras com algo mais pela noite...
Lágrimas de sangue correm...
Tantos seres tristes e solitários buscando um pouco de luz...
Para cumprir o destino tenho que enfrentar aquilo para que vim e para que fui criada...
Pouco a pouco perceber quem sou e porque estamos aqui fieis à dor e à obscura solidão de sofrer...
Poque tem o ser humano sentimentos e tempo para o silêncio e para a tranquila paciência?
Todos os momentos são horas de partir e de não desejar nada em nome do Amor!